CURTAS TEATRAIS, 11 E 12 DE FEVEREIRO NO AUDITóRIO DA RDP MADEIRA

Curtas Teatrais (1)

Nos dias 11 e 12 de Fevereiro às 21h00 no Auditório da RDP (sessão para escolas e grupos às 15h00 no dia 11 de Fevereiro) os alunos do 2º ano do Curso Profissional de Artes do Espectáculo – Interpretação do Conservatório, apresentam três exercícios de interpretação orientados pelo formador Eduardo Luíz, designados Curtas Teatrais. A entrada é livre.

PRIMEIRA CURTA

“O QUE EU TE QUERIA DIZER, O QUE EU QUERIA QUE ME DISSESSES”
De Nuno Júdice escritor português contemporâneo
Interpretação dos formandos Eduardo Molina (Homem) e Andreia Morgado (Mulher).
Trecho da peça: É a síntese do amor e do ódio, meu amor, e se te falo em ódio é só porque insistes em não tirar essa camisola, e em deixar-me andar à tua volta sem saber o que fazer, sem me conseguir descolar de ti, como se fosse o teu irmão siamês, mas ao mesmo tempo estando completamente separado de ti porque não consigo que o meu calor passe para dentro do teu frio, o que seria simples de fazer se deixasses que eu te abraçasse…”

Sinopse: Um Homem. Uma Mulher. Ele fala do que lhe queria dizer. Ela do que queria que ele lhe dissesse. No fundo falam do mesmo, de si, de tudo e de nada. Do que os aproxima e do que os afasta. Da simplicidade e da complicação das relações. Do amor. Do que é amar. De como dizer que se ama. De como se ama.
Resumo: O retrato de uma relação amorosa que houve entre as duas personagens (Homem e Mulher) no qual patenteiam todas as confissões que um queria fazer ao outro, mas que nunca tiveram coragem/ oportunidade para o fazer. Os sentimentos são recíprocos, no entanto com diferentes pontos de vista. A mulher tenta simplificar os problemas mais complicados, enquanto que o homem complica o que sabe que é simples, na esperança de não banalizar o amor, procurando a forma mais complexa de encarar as situações (…)
” Aí está uma coisa que eu percebi, uma coisa tão simples que não me custou nada a perceber, e tão simples que acabei por fazer dela uma complicação, na minha cabeça de iluminado. Será por isso que gosto de ti?” (…).

Ao longo do texto, as personagens vão descrevendo os sentimentos que nutrem uma pela outra, de forma subjectiva, recorrendo frequentemente ao uso de metáforas (…)

“ É verdade que isto é um jogo de xadrez, e tu és a minha dama, embora eu não passe de um peão que pode ser comido a qualquer momento, se é que já não o foi; e a culpa disso é do amor, que me impede de andar para os lados, ou em diagonal, e me obriga a ir em frente, em direcção a ti, a minha dama, pronta para me comeres” (…).

No final da história, as personagens sentiram que tiraram um peso da consciência, pois revelaram tudo aquilo que já queriam revelar há muito tempo.

SEGUNDA CURTA

“AS CRIADAS”
De Jean Genet, dramaturgo francês contemporâneo

Interpretação das formandas
Clara – Norimar Rodriguez
Senhora – Cláudia Alves
Solange – Ana Mendonça

Sinopse: Um texto que mais uma vez, me aproxima do tema da morte. Aqui a morte é multiplicada e omnipresente nas suas formas e presenças: a morte como uma metamorfose do ser em busca de si e dos seus limites; a morte como um atrevimento uma provocação que leve a exceder as próprias forças em busca de uma paz que não deseja; a morte como um ideal de transformação que dá extensão aos movimentos de inquietação da imaginação; a morte como uma imagem que transporta consciência de si; a morte como desejo de afrontar aquilo que mais se teme; a morte como expressão de um outro que habita dentro de nós e que desconhecemos; a morte como uma união com a nossa própria imagem.

Resumo: …Solange e a Clara (as criadas), ensaiam a morte da Senhora.
As duas irmãs, andam à muito com estes ensaios para que o homicídio da sua patroa ocorra sem percalços…

…Numa tentativa de fazer com que a casa estivesse mais “sossegada” e com mais possibilidades para acontecer o dito homicídio, as criadas escrevem cartas a incriminar o amante da sua senhora e devido a estas cartas, o dito amante, acaba sendo detido…
…Aparentemente parece que o plano corre bem, no entanto, acaba sendo solto e o receio de serem apanhadas pela sua atitude tentam “apressar” a morte da sua patroa, que aparece completamente cansada e triste por causa do seu amante, não sabendo portanto que ainda não havia sido solto…

… Tentam, com o habitual chá de Tília que a senhora costumava tomar, envenená-la. Contudo, quando a Senhora recebe a notícia de que o seu marido havia sido solto, sai, deixando as criadas desesperadas. Com receio de serem descobertas acabam por fazer cumprir o ritual que há muito se preparavam para executar…

TERCEIRA CURTA

“OS AUSENTES”
De Luz Franco, dramaturga portuguesa contemporânea

Interpretação dos formandos
Susana – Carolina Abreu
Teresa – Raquel Neves
Ricardo – Duarte Nóbrega

Sinopse: O Ausentes será, uma demonstração daquilo que o ser humano sempre fez: invadir-se de pensamentos, usando a introspecção controlada ou não controlada. Um psicodrama feito de constrangimentos, de desconfianças, de inquéritos minuciosos e paranóicos, de fantasmas. Toda uma comunicação baseada no paradoxo, numa terapia espontânea.

O Ausentes relata a história de um homem e duas mulheres: Ricardo, Teresa e Susana que vivem em constantes conflitos. Enquanto Ricardo exerce um certo domínio sobre as duas, elas por sua vez tentam libertar-se do domínio do Ricardo. Uma incursão até aos confins do que o pensamento por vezes nos provoca e com a certeza ou não de descobrir de que forma é que somos constituídos e até que ponto podemos atingir os nossos extremos.

Até que ponto encobrimos e descobrimos todo o cariz espectacular da nossa personalidade? Até que ponto somos ausentes ou presentes?

O que é real ou não real? Será que em cada mente há uma realidade?

Entre fantasias de amor e jogos de manipulação, descobrimos o que é possível acontecer em casos como este e que muitas vezes nos passa ao lado no nosso dia-a-dia.

A relações de “amor – ódio” entre as três personagens tem algo em comum: Teresa foi mulher de Ricardo e a Susana é uma mistura da Isabelinha, a sua filha que perdeu e da amiga de dela, com quem Ricardo foi apanhado a ter relações sexuais atrás de um reposteiro.

Como é que estas personagens estão a viver na mesma ilha, na mesma casa e no mesmo quarto?

Nem tudo é o que parece, a ilha não é a ilha, a casa não é a casa e é tudo fruto da imaginação de Ricardo. Alucinações por onde Ricardo deambula, mantendo Susana e Teresa fechadas, fazendo com que elas sintam a mesma angústia

Já se imaginaram a ser mais do que uma pessoa, ou simplesmente ter mais alguém morando na vossa cabeça?

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