Conservatório leva a palco “Avalanche” – um espetáculo de dança que expõe o impacto invisível do bullying

O Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng. Luiz Peter Clode, apresenta no dia 17 de abril, às 20h, no Fórum Machico, o espetáculo de dança contemporânea “Avalanche”, pelos  alunos do Curso Profissional de Intérprete de Dança Contemporânea, dos Cursos Livres em Artes e Convidados, com direção artística da professora Juliana Andrade e cocriação dos bailarinos.

“Avalanche” é um espetáculo de dança contemporânea que cruza movimento, corpo e poesia física para abordar a violência invisível do bullying e o impacto da hiperconexão nas novas gerações. A criação parte da ideia de uma infância cada vez mais exposta a um excesso de estímulos, onde a informação chega de forma contínua e acelerada, deixando pouco espaço para o silêncio, para a pausa e para a construção da atenção. Neste contexto, o espetáculo reflete sobre como a repetição de palavras, gestos e pequenas ações quotidianas pode ganhar força coletiva.

Essa acumulação progressiva transforma-se numa pressão emocional e social que cresce de forma quase impercetível, até se tornar uma força difícil de travar. No palco, esse processo é traduzido em dinâmicas de grupo que evidenciam como o coletivo pode tanto proteger como esmagar o indivíduo.

“Avalanche” convida o público a olhar para a forma como a indiferença e a exposição constante contribuem para a fragilidade da presença humana, sublinhando a importância da escuta, da empatia e da reconexão num mundo cada vez mais acelerado.

 

Ficha Técnica

Criação e Direção Artística: Juliana Andrade

Cocriação: Bailarinos

Desenho de Luz: Juliana Andrade

Adereços: Francisca Jardim

 

Criação e Direção Artística: Juliana Andrade

Cocriação: Bailarinos

Desenho de Luz: Juliana Andrade

Adereços: Francisca Jardim

 

Bailarinos

Curso profissional de Intérprete de Dança Contemporânea: Ana

Ascenção, Benedita Sousa, Clara Santos, Fabiola Toro, Francisca Jardim,

Júlia Brazão, Júlia Velosa e Sumag Ramos.

Cursos Livres em Artes: Beatriz Oliveira, Camila Silva, Gabriela Machado,

Júlia Aguiar, Júlia Araújo, Maria Flor Baptista, Lara Abreu e Plácido

Meneses.

Convidados: Bruno Ferreira e Tomás Soares

 

 

Sinopse:

As crianças de hoje nascem com o mundo inteiro a piscar-lhes nos olhos.

Antes de aprenderem o peso do silêncio, já sabem deslizar o dedo no vidro, como se o infinito coubesse num ecrã pequeno demais para o coração.

A informação cai-lhes em cima como chuva ácida: cores, sons, notificações, verdades apressadas. Não há tempo para a pergunta amadurecer, porque a resposta chega antes do espanto.

Os brinquedos já não esperam pela imaginação — fazem tudo sozinhos e a infância, que era território de lentidão, vai sendo empurrada para a margem, enquanto a atenção se fragmenta em mil pedaços luminosos.

Há olhos cansados em corpos pequenos. Mentes cheias demais para saberem descansar. O tédio — esse lugar fértil onde nasciam mundos — foi declarado inimigo e banido do dia.

Quando tudo grita, nada é ouvido. Quando tudo é urgente, nada é profundo.

E assim, entre cliques e estímulos, corremos o risco de ensinar as crianças a saber tudo… menos Escutar, menos Sentir, menos Ser

Num espaço onde todos os corpos estão ligados, mas raramente se tocam, aquilo que era presença transforma-se em exposição.

— um lugar sem fronteiras físicas, onde o olhar coletivo pesa mais do que o toque e onde a violência se propaga em silêncio.

“Avalanche” é um poema físico sobre a violência invisível do bullying e a urgente coragem de reconectar — não à rede, mas à humanidade.

Um bailado sobre presença, fragilidade e resistência num mundo hiperconectado — onde desligar pode ser, também, um ato de sobrevivência.

Cada toque torna-se impacto. Cada impacto, desmoronamento.

A avalanche não começa com violência — nasce da repetição. Da partilha.

Da indiferença. E quando finalmente se solta, é um coro de corpos que arrasta o indivíduo para debaixo do peso invisível das palavras. O som torna-se abafado, os movimentos fragmentam-se, como se o ar fosse demasiado denso para respirar. O grupo ganha ritmo, ganha força, ganha volume. O que era apenas ruído transforma-se em pressão. O que era apenas opinião torna-se sentença coletiva. A avalanche não é um acidente natural — é um movimento criado, sustentado e alimentado por todos.

É sobre a coragem de quebrar o ciclo antes que ele se torne imparável.”

 

Juliana Andrade