Novas vozes do teatro madeirense apresentam-se em Câmara de Lobos

O Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng.º Luiz Peter Clode, leva ao Centro Cultural de Câmara de Lobos, nos dias 1 (10h) e 2 de julho (10h e 14h), três criações teatrais protagonizadas por jovens intérpretes finalistas do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação. Com textos de Bosco Brasil, José Sanchis Sinisterra e Spiro Scimone, as apresentações assinalam o encerramento do percurso formativo dos alunos e afirmam uma nova geração de atores na cena teatral madeirense. As Provas de Aptidão Profissional decorrerão sob a orientação artística e pedagógica do professor Diogo Correia Pinto, que acompanhou os alunos ao longo do processo de investigação, criação dramatúrgica e construção cénica dos três espetáculos, contribuindo para o encerramento de um ciclo de formação e para a entrada destes jovens artistas na vida profissional ou no ensino superior. Entrada livre, mediante disponibilidade da sala.

As apresentações assinalam o culminar de três anos de formação artística e representam a etapa final para a conclusão do 12.º ano e da qualificação profissional dos alunos. Mais do que um exame, as PAP constituem um momento de criação artística, em que os alunos assumem a responsabilidade pela construção dramatúrgica, interpretação e defesa pública do seu trabalho, através de uma performance seguida de uma entrevista perante júri.

A abrir o ciclo de apresentações, da área do Teatro, no dia 1 de julho (10h), Soraia Rodrigues e Noam Bem-Ari apresentam “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, de Bosco Brasil, considerado um dos textos mais importantes da dramaturgia brasileira contemporânea. A obra, originalmente escrita para duas personagens masculinas, foi objeto de um processo dramatúrgico que a transporta para o universo de duas mulheres, preservando os conflitos centrais do texto e oferecendo uma nova leitura sobre temas como a identidade, a memória, a intolerância e a procura de um lugar seguro.

No dia 2 de julho (10h), Leonor Martins e Linda Santos apresentam “Maldormir”, do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra. Conhecido pela sua escrita poética e profundamente humana, Sinisterra constrói uma obra que percorre os limites entre o sonho e a realidade, explorando a solidão, o medo e a fragilidade das relações humanas.

Ainda nesse dia, Guilherme Silva e Francisco Semeão sobem ao palco com “O Café” (14h), do dramaturgo italiano Spiro Scimone, uma das vozes mais relevantes do teatro italiano contemporâneo. Com diálogos aparentemente simples e um humor subtil, a peça retrata o quotidiano de duas personagens presas à rotina, revelando, por detrás do absurdo e da comicidade, profundas reflexões sobre a amizade, a solidão e a condição humana.