O Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng. Luiz Peter Clode prepara-se para voltar a iluminar o palco da criação artística infantil. Em abril de 2026, o Festival da Canção Infantil da Madeira (FCIM) regressa para uma nova edição, destacando o talento das crianças e a sensibilidade criativa dos compositores que dão vida ao imaginário musical infantil madeirense. Entre memórias, afetos e inspirações do quotidiano, os autores revelam como cada canção nasce, da primeira ideia ao momento em que a voz infantil a transforma em magia.
Com mais de quatro décadas de história, o festival mantém-se como uma das principais plataformas de expressão artística infantil do arquipélago. Ano após ano, aposta numa programação que conjuga formação, espetáculo e criatividade, valorizando tanto a performance das crianças como o trabalho dedicado dos compositores e letristas. Nesta edição, são estes criadores que contam, na primeira pessoa, como cada canção ganhou forma.
Em breves palavras, partilham as suas fontes de inspiração, a motivação que os move e o entusiasmo com que abraçam a oportunidade de participar num evento que, para muitos, representa um contributo direto para o desenvolvimento artístico das crianças, e da ilha. São vozes que revelam não apenas o rigor criativo por detrás de cada tema, mas também a profunda ligação afetiva que estabelecem com aqueles que levam as suas interpretações ao palco.
Canção 1 – A Magia das Estações
Letra: Maria João Pereira | Música: Adler Pereira
Testemunho conjunto: “O modo como a terra respira e muda a cada estação inspirou-nos neste poema; daí a magia das estações surgir tão naturalmente. Há algo no ritmo da natureza que nos lembra que tudo tem o seu tempo, que tudo regressa, que tudo se transforma. Bastou fechar os olhos e sentir o vento na cara para que as imagens começassem a aparecer. A mudança de cores, os cheiros, a luz — cada estação traz uma vida própria, quase como se a terra contasse a sua história em ciclos.
Enquanto imaginava as estações a passar, observei uma criança a brincar. Nesse gesto simples encontrei a ligação perfeita: a inocência que não se preocupa com o tempo, apenas o vive. Foi aí que o poema musicado, ganhou sentido.”
Canção 2 – As Flores da Avó
Letra: Rita Ferreira | Música: Rita Ferreira
“Em 1992, participei no FCIM como intérprete e esta experiência foi a minha alavanca na música. Em 2019, voltei a este evento, como compositora e letrista, e tem sido muito gratificante. Através de cada canção, tento contar uma história, inspirada na minha infância ou na dos meus filhos. A participação da minha filha no Cortejo da Festa da Flor deu origem à canção “As flores da avó”. Fiquei enternecida a ver o desfile e imaginei várias flores a saírem de um jardim para irem dançar na rua. E porquê da avó? Porque, de acordo com as minhas vivências, as avós são as verdadeiras cuidadoras de flores.”
Canção 3 – O Sótão Mágico
Letra: Joana de Abreu | Música: Carlos Ribeiro
Autora da Letra: “Desde que cheguei à Madeira que achei o Festival fascinante, pelo que é para mim uma grande honra fazer parte da sua história.
A inspiração para a letra da canção foi o sótão da casa dos meus pais. É, de facto, um lugar mágico. Sendo a minha mãe educadora de infância, guarda no sótão de tudo um pouco. E quando levava alguma coisa para a escola, dizendo que vinha do sótão, as crianças diziam que era o “sótão mágico”, designação que se manteve até hoje. Vai ser um orgulho imenso ver “O Sótão Mágico” da minha mãe, cantado pela minha filha, no palco do Festival”.
Autor da Música: “O desafio surgiu através da minha amiga Joana, que há muito me falava deste festival e da sua relevância para a música infantil no Arquipélago da Madeira. Percebi de imediato que seria uma oportunidade exigente, mas que abraçámos com carinho, mesmo trabalhando à distância.
O processo criativo decorreu de forma natural. A partir da inspiração da letra, tornou-se claro que a melodia deveria soar como a voz de uma avó a embalar a sua neta — uma canção suave, capaz de transportar quem a ouve para um lugar de ternura. Uma música de embalar que, ao fecharmos os olhos, desperta a curiosidade de explorar um espaço especial: o Sótão Mágico.
Espero que todos possam desfrutar desta viagem e descobrir o encanto que este sótão mágico esconde.”
Canção 4 – Vamos Juntos Cantar
Letra: Miguel Neiva | Música: Miguel Neiva
“A canção “Vamos Juntos Cantar” nasce da vontade de recordar às crianças que a música é ponte e gesto, um caminho simples para promover empatia, união e esperança. Nesta letra procurei transformar pequenos gestos em grandes ideias: um sorriso que levanta voo, um mundo cansado que volta a aprender a amar e a certeza de que, quando os corações batem no mesmo ritmo, nasce sempre algo melhor. Participar no Festival da Canção Infantil da Madeira é para mim uma forma de celebrar a criatividade das crianças e o poder transformador da arte. É uma honra contribuir para um evento que inspira, aproxima e dá voz às novas gerações.”
Canção 5 – Amor
Letra: Adler Pereira | Música: Adler Pereira
Como compositor e letrista, aprendi que algumas canções não são apenas criadas, elas acontecem. Surgem num instante preciso, quando algo maior se revela. Foi num desses momentos que esta música nasceu: porque o amor de pai e mãe é o primeiro milagre da vida, incondicional. A música nasceu enquanto lia um poema, simplesmente assim, nota a nota. E foi ali que tudo tomou forma. Cada verso que escrevi encaixou naturalmente nessa ideia inicial.
No FCIM, onde cada canção tem um propósito claro, esta acabou por ser uma expressão de um impulso verdadeiro, de um testemunho de gratidão, uma homenagem ao afeto primordial que inspira o melhor da criação. E é por isso que esta música carrega em si uma sinceridade que não se explica, apenas se sente.
Canção 6 – A Sopa da Avó
Letra: Natália Bonito | Música: Víctor Oliveira
Resposta conjunta dos autores: “Participar no Festival da Canção Infantil da Madeira já se tornou uma verdadeira “tradição familiar”. O processo criativo acontece de forma espontânea, em qualquer cantinho da casa, onde partilhamos ideias em conjunto e, muitas vezes, contamos também com os contributos da nossa filha, que vive o Festival com enorme entusiasmo. Para A Sopa da Avó, quisemos criar uma canção animada, cheia de ternura e humor, inspirada na simbólica “pitada de amor” que todos reconhecemos nas receitas das nossas avós. O nosso trabalho diário com crianças ajuda-nos a compor canções que falam ao universo infantil com leveza e poesia. Esta música é, acima de tudo, uma celebração do sabor e do aconchego da FAMÍLIA.”
Canção 7 – Videogame
Letra: Graciela Poço | Música: Graciela Poço
“Participar no FCIM é uma grande realização, pois a música faz parte da minha vida desde que me conheço. Esta experiência é um casamento perfeito entre a escrita e a música, duas das minhas paixões. A canção “VideoGame” foi escrita há um ano e surgiu de forma espontânea. É obvio que teve a influência da conjuntura atual, sendo que a dependência do ‘digital’ é uma preocupação que, a cada dia que passa, palpita mais e mais no seio da sociedade. Através desta canção, é feito um apelo às brincadeiras e descobertas feitas na rua, entre amigos, longe dos gadgets ou aparelhos eletrónicos. É urgente que isso aconteça um pouco mais no sentido de que as nossas crianças deixem de ser ilhas, isoladas do mundo, e envoltas por um mar de aplicações e redes sociais. Em relação à melodia, sempre que escrevo a letra de uma canção, a melodia nasce, na minha mente, de forma imediata. Espero que esta canção abrace o coração e a mente das nossas crianças e adolescentes, sendo, desse modo, inspiradora e transformadora.”
Canção 8 – No Meu Mundo Encantado
Letra: Suéli Faria, Tânia Teixeira | Música: Andreia Miranda, António Duailibi
Autora da Letra: Suéli Faria
Quanto ao testemunho pedido por Vós, gostaria de partilhar convosco que o ano passado participei no FCIM pela primeira vez e adorei a experiência, de tal forma que, queria participar novamente, mas desta vez com uma letra que escrevi em conjunto com a minha tia, onde posso apresentar a todos o Mundo Encantado que existe na minha imaginação, porque dentro de mim o brilho dos sonhos nunca dorme.
Autora letra: Tânia Teixeira
Participei no festival durante 12 anos consecutivos, como corista e como solista. No ano passado, 22 anos depois, decidi aventura-me como autora. Foi um regresso feliz a casa, uma casa que me proporcionou as melhores memórias.
Quis que a minha única sobrinha tivesse a oportunidade de viver a magia do festival, como eu vivi. A experiência foi tão boa que foi a própria que me desafiou a escrever uma canção com ela para participarmos este ano. Estou muito feliz por podermos partilhar esta experiência juntas.
Autora da Música – Andreia Miranda:
“Nunca pensei participar numa composição deste género, mas senti que podia acrescentar algo novo. A música tem um papel fundamental no desenvolvimento das crianças e dos jovens, e quando recebi a letra percebi que seria um desafio dar-lhe vida sem perder a intenção da autora. A inspiração veio do meu quotidiano, do meu trabalho com música e, sobretudo, das minhas filhas, que alimentam o meu lado criativo. Também as referências das canções portuguesas que ouvimos diariamente ajudaram a moldar esta criação colaborativa.
A experiência no Festival da Canção Infantil tem sido muito positiva, marcada por uma comunicação clara e um trabalho conjunto que tornou todo o processo enriquecedor.”
Canção 9 – Eu Sou Forte, Eu Sou Valente
Letra: Natália Bonito | Música: Víctor Oliveira
Resposta conjunta dos autores: “Mais uma vez, participar no Festival reforça um dos nossos programas de família favoritos: inventar músicas. Eu Sou Forte, Eu Sou Valente nasceu da vontade de transmitir às crianças uma mensagem de confiança, coragem e autoestima. O refrão surgiu num momento “insólito”, durante a rotina de lavar os dentes, numa conversa sobre bullying e sobre a importância de acreditarmos na nossa própria luz. O nosso trabalho diário com crianças inspira-nos a criar canções que empoderem e acompanhem o crescimento dos mais pequenos. Para nós, o Festival é um ótimo veículo para levar este tipo de mensagem ainda mais longe.”
Canção 10 – A Casa dos Avós
Letra: Marlene Silva | Música: Graça Silva
“Eu sou a Marlene, tenho 34 anos e sou natural da Calheta. Desde pequenina que a música faz parte da minha vida. Aos 8 anos tive a oportunidade de participar no 20.° Festival Infantil da Canção e sempre sonhei um dia poder levar os meus filhos ao festival. Este ano, o sonho concretizou-se. A canção que levamos, retrata a nossa realidade. Tendo mudado de concelho de residência, contamos os dias até ao fim de semana para podermos estar todos juntos com a restante família, avós, tios e primos para partilhar vivências e proporcionar aos mais pequeninos uma infância livre e feliz, no campo, na casa dos avós.”
Canção 11 – Consegues Adivinhar
Letra: Ricardo Alves | Música: Ricardo Alves
Participar novamente no Festival da Canção Infantil da Madeira é sempre uma alegria imensa. Depois de ter estado presente como autor e compositor entre 1998 e 2007, regressar com “Consegues Adivinhar” é como voltar a casa. A canção nasceu do encanto pela ilha, retratada de forma lúdica, em jeito de adivinha, para despertar nas crianças a curiosidade e o amor pela Madeira. É uma homenagem poética e divertida à “pérola do Atlântico”, feita para cantar, imaginar e sonhar.
Canção 12 – Lápis Mágico
Letra: André Ferreira | Música: Miguel Neiva
Autor da Letra: “Sinto-me lisonjeado com a participação da canção “Lápis Mágico” no Festival da Canção Infantil da Madeira. É um privilégio fazer parte de um festival que promove a criatividade e a autoestima das nossas crianças, proporcionando-lhes um espaço para expressarem os seus talentos e sonhos.
A canção “Lápis Mágico” incentiva a imaginação e a busca por um mundo mais colorido e criativo, onde as crianças possam sonhar sem limites.
Espero que a solista se divirta bastante e tenha uma experiência memorável e enriquecedora para o seu desenvolvimento pessoal e social.
Obrigado aos organizadores por esta fantástica oportunidade!”
Autor da Música: “Em “Lápis Mágico” procurei criar uma melodia capaz de despertar imaginação, movimento e surpresa, como se cada nota abrisse uma porta para um novo desenho no ar. A música nasce do desejo de acompanhar o olhar curioso das crianças e de lhes oferecer um espaço sonoro onde possam experimentar liberdade e fantasia. Participar no Festival da Canção Infantil da Madeira é para mim uma forma de contribuir para este universo criativo que valoriza a arte desde cedo e incentiva cada criança a descobrir a sua própria voz. É sempre um privilégio fazer parte de um evento que celebra a infância através da música.”
